Cesiq propõe estudo sobre a participação do setor químico em cadeias estratégicas para o País

Analisar as cadeias de produção estratégicas para o País, como o agronegócio e o saneamento, mostrando como a garantia do fornecimento de produtos químicos é fundamental para manter o crescimento dessas e de e outras atividades foi o tema central da reunião on-line realizada no dia 10 de novembro pelo Conselho das Entidades Sindicais da Indústria Química (Cesiq). A proposta do Cesiq é promover um estudo sobre como a indústria química participa das várias cadeias de produção e levar as conclusões ao governo federal como forma de sensibilizar as autoridades para o atual quadro de sucateamento do setor químico e possíveis consequências para o futuro do País.

“Hoje, o Brasil importa a maior parte dos fertilizantes e defensivos utilizados no agronegócio, principalmente da China e da Rússia. Essa dependência reduz a segurança estratégica do País. Ninguém defende, atualmente, a autossuficiência, mas é preciso ter a garantia de fornecedores locais para evitar que eventuais problemas no comércio internacional, como a recente decisão da China de reduzir as exportações de fertilizantes, coloquem em risco atividades essenciais para o País. Hoje, há falta de ureia e fosfato, entre outros produtos, no mercado nacional”, alertou Nelson Pereira dos Reis, presidente do Sinproquim.  

Newton Mário Battastini, presidente do Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim), destacou que a indústria química é transversal à economia, fornecendo produtos para todas as atividades. Segundo Battastini, é preciso sensibilizar o governo sobre as oportunidades que estão sendo perdidas e sobre o risco do aumento da dependência externa. Isaac Plachta, presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj), ressaltou que há oportunidades para o aproveitamento de capacidades ociosas em indústrias químicas, que poderiam ser utilizadas, com adaptações, para elevar a fabricação de determinados produtos químicos. Para Plachta, é imperioso mostrar ao Poder Executivo que a indústria química é estratégica em qualquer economia e fator fundamental na inovação. “A indústria química foi essencial no combate à pandemia de coronavírus”, afirmou. Roberto Fiamenghi, presidente do Sindicato das Indústrias de Produtos Químicos para Fins Industriais, Petroquímicas e Resinas Sintéticas de Camaçari, Candeias e Dias D’Ávila (Sinpeq), comentou que a falta de ácido sulfúrico e de enxofre, bem como o consequente encarecimento desses produtos, têm gerado muitas dificuldades para o mercado.

Saneamento básico

Os membros do Conselho destacaram também a importância de uma análise sobre as necessidades criadas para a realização das metas estabelecidas pelo Marco Legal do Saneamento de garantir, até 2030, o acesso à água tratada por 99% da população brasileira e de 90% à coleta e tratamento de esgoto. Segundo eles, é preciso dimensionar o real impacto sobre a demanda de vários produtos químicos, como tubulações de PVC, cloro e sulfatos, e como se dará esse fornecimento para tornar essas metas realizáveis, tendo em vista que a importação de alguns desses produtos, como tubos de PVC, é praticamente inviável, pelo alto custo do frete. Um primeiro passo nessa análise ocorrerá no próximo dia 18, quando o Cesiq realizará um webinar com especialistas de várias áreas para debater como viabilizar as metas do Marco Legal do Saneamento. A próxima reunião do Cesiq está agendada para o dia 30 de novembro.