Práticas de compliance avançam na indústria química

Sinproquim cria Comissão para discutir e fortalecer boas práticas de compliance

Compliance hoje não é mais uma palavra desconhecida, principalmente para o mundo corporativo. No entanto, ainda que esteja em fase de popularização, mais da metade das empresas brasileiras não mapearam suas vulnerabilidades, aponta pesquisa com 1.417 participações realizada entre janeiro de 2016 e abril de 2017 pela Protivit, empresa que atua com consultoria em gestão de riscos, negócios e tecnologia tanto no ambiente brasileiro quanto no exterior.

A temática é importante para as empresas associadas ao Sinproquim, que recentemente criou uma comissão para debater as diversas experiências profissionais com o intuito de alinhar visões e diretrizes a fim de esclarecer o que está na essência do compliance e como essas práticas podem contribuir para a indústria química no Brasil.

“Esses processos atuam como ferramentas fundamentais para a criação de um ambiente confiável, no sentido de fortalecer aspectos tangíveis e intangíveis de uma organização. A ideia inicial era criar um Grupo de Trabalho, mas dada a importância do assunto, decidimos pela formação de uma Comissão de Compliance, que será um fórum de discussões sobre o tema, com a participação de representantes das empresas associadas”, afirma Renato Endres, diretor-executivo do Sinproquim.

A Comissão teve origem em proposta feita por uma empresa associada ao Sinproquim. O objetivo é auxiliar a indústria química paulista a desenvolver e executar programas de conformidade, visando ao cumprimento das normas legais e regulamentares, bem como as políticas e diretrizes estabelecidas para os negócios e as atividades.

Em pesquisa realizada pelo Sinproquim, identificou-se que um terço das empresas associadas participam de fóruns de compliance com regularidade. Além disso, 80% dos respondentes mostraram-se interessados na formação de um grupo para tratar do assunto. “Compliance mostrou-se ser um tema relevante como forma de prevenir conflitos e acidentes, o que resulta em mais segurança e menores custos”, afirma Endres.

Compliance na prática

A primeira reunião da Comissão foi realizada no dia 11 de abril. Na oportunidade, foram discutidos o desenvolvimento e a implantação de um código de ética pelas empresas, a importância da análise das demandas apresentadas pelos canais de denúncia, bem como a divulgação de orientações aos colaboradores e ao público sobre o uso adequado desses canais. Além disso, foi pauta a necessidade tanto de uma detalhada avaliação de riscos para a implementação de técnicas de conformidade quanto de um envolvimento amplo dos colaboradores e dos dirigentes das empresas para o fortalecimento do programa.

A iniciativa foi bem recebida por players da indústria química. “Sentíamos falta de um trabalho amplo como o que o Sinproquim se propôs a realizar com as empresas do setor”, pontua Everson Santos, coordenador de Recursos Humanos da Petrocoque. A empresa, que realiza ações de compliance associadas aos valores da companhia e contribuiu para a criação da Comissão, revisou o código de conduta e ética, intensificou os treinamentos e campanhas de conformidade (estendendo aos terceiros fixos). “O objetivo é que nosso público de interesse possa enxergar que há coerência entre nossos valores e nossa prática”, ressalta.

Ainda que em passos mais lentos que o mercado químico global, a indústria química brasileira, em especial as empresas subsidiárias de conglomerados globais, têm adotado boas práticas de governança corporativa e compliance. Muitas delas já consideram tais práticas como um pilar para sustentação de seus negócios, avalia Marcos Batalha Junior, head do departamento jurídico da Polynt-Reichhold Group. “Dado o momento atual do País, as práticas de compliance anticorrupção devem ser tratadas como prioridade pela indústria brasileira. Nossa estratégia visa garantir que cada pessoa dentro da organização empresarial tome decisões comerciais éticas e garanta que suas ações sejam de acordo com a lei e políticas desenvolvidas”, afirma.