O anúncio de tarifas adicionais de 10% sobre os produtos brasileiros, impostas pelo governo dos Estados Unidos, foi recebido com preocupação e cautela pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a entidade, é preciso fazer uma análise detalhada das medidas divulgadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e insistir no diálogo para preservar uma relação bilateral histórica e complementar entre o Brasil e os EUA.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação, especialmente de produtos de maior intensidade tecnológica, além de liderarem o comércio de serviços e os investimentos bilaterais. Somente em 2024, a indústria de transformação brasileira exportou US$ 31,6 bilhões em produtos para os EUA. Nesse ano, a cada R$ 1 bilhão exportado para os EUA, foram criados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,6 bilhões em produção.
Um levantamento da CNI destaca os produtos mais exportados pelo Brasil aos Estados Unidos. De 20 itens analisados, em 13, os EUA são os principais compradores do produto brasileiro.
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos – os EUA são destino de 11,5% das exportações do produto;
- Outros produtos semimanufaturados, de ferro ou aços, não ligados, contendo em peso < 0,25% de carbono, de seção transversal retangulares – os EUA lideram como destino de 74,5% das exportações desse produto;
- Ferro fundido bruto não ligado, contendo, em peso <= 0,5% de fósforo – os EUA lideram como destino de 71% das exportações do produto;
- Café não torrado, não descafeinado – os EUA são destino de 18% das exportações do produto;
- Aviões e outros veículos aéreos, de peso > 15.000 kg, vazios – os EUA lideram como destino de 54,5% das exportações do produto;
- Pasta química de madeira de não conífera, à soda ou sulfato, semibranqueada ou branqueada – os EUA são destino de 14,7% das exportações do produto;
- Produtos semimanufaturados, de outras ligas de aços – os EUA lideram como destino de 94,9% das exportações do produto;
- Outros óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e preparações, exceto desperdícios – os EUA são destino de 7,1% das exportações do produto;
- Aviões e outros veículos aéreos, de peso > 2.000 kg e <= 15.000 kg, vazios – os EUA lideram como destino de 97,4% das exportações do produto;
- Bulldozers e angledozers, de lagartas, autopropulsores – os EUA lideram como destino de 58,7% das exportações do produto;
- Carregadoras e pás carregadoras, de carregamento frontal, autopropulsores – os EUA lideram como destino de 57,3% das exportações do produto;
- Carnes de bovino, desossadas, congeladas – os EUA são destino de 4,6% das exportações do produto;
- Madeira de coníferas, perfilada – os EUA lideram como destino de 98% das exportações do produto;
- Óleos leves e preparações – os EUA lideram como destino de 46,7% das exportações do produto;
- Preparações alimentícias e conservas, de bovinos – os EUA lideram como destino de 59,7% das exportações do produto;
- Minérios de ferro aglomerados e seus concentrados – os EUA são destino de 12,8% das exportações do produto;
- Óxidos de alumínio, exceto corindo artificial – os EUA são destino de 13,8% das exportações do produto;
- Sucos de laranja não congelados, não fermentados, com valor Brix <= 20 – os EUA lideram como destino de 54% das exportações do produto;
- Outras partes para motores diesel ou semidiesel – os EUA lideram como destino de 30,8% das exportações do produto;
- Niveladores – os EUA lideram como destino de 45,3% das exportações do produto.