Novo tarifaço aplicado pelos EUA traz mais preocupações para a indústria química brasileira

Estudo realizado pela Abiquim indica que os grupos mais afetados pela imposição de uma sobretaxa de até 25% sobre produtos brasileiros exportados para o EUA serão tintas, vernizes e lacas, fibras têxteis sintéticas, sabões e detergentes e produtos de perfumaria. Os segmentos de químicos orgânicos e resinas e elastômeros também serão afetados, mas com impactos mais limitados.

A entidade observa que, os Estados Unidos exportaram aproximadamente US$ 11,5 bilhões em produtos químicos para o Brasil em 2025 e importaram cerca de US$ 2,1 bilhões em produtos químicos brasileiros, mantendo um superávit comercial superior a US$ 9 bilhões e que a indústria química norte-americana já desfruta de importantes vantagens competitivas, especialmente no segmento petroquímico, decorrentes do acesso a matérias-primas estratégicas, como o etano e o gás natural, a custos significativamente inferiores aos praticados no Brasil.

Na avaliação da Abiquim, a decisão desconsidera a complementaridade existente em diversas cadeias produtivas. Parte dos produtos químicos brasileiros sujeitos às novas tarifas atende segmentos em que não há produção suficiente – ou sequer existe fabricação – nos Estados Unidos. Nesses casos, a medida tende a elevar custos para a própria indústria norte-americana, que dependerá da importação desses insumos de outros mercados ou do pagamento de preços mais elevados.

Para a Abiquim, os fundamentos da decisão extrapolam a esfera econômica e comercial. A medida se insere em um contexto mais amplo de tensões geopolíticas e de reorganização das cadeias globais de comércio, sem relação direta com eventuais distorções na balança comercial entre Brasil e Estados Unidos.

Embora apenas 42% dos códigos tarifários do universo químico exportado aos Estados Unidos tenham sido contemplados com isenção da tarifa adicional de 25%, esses códigos concentram parcela significativa do valor exportado. Dos 1.177 códigos SH6, 493 ficaram isentos da sobretaxa, enquanto 684 códigos (58%) permanecem sujeitos à nova tarifa.
Apesar de a maior parte do valor exportado estar concentrada em poucos produtos beneficiados pelas isenções, a sobretaxa continua incidindo sobre a maioria dos itens da pauta exportadora do setor químico.

Em termos de valor exportado, as isenções abrangem entre 64% e 71% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano, concentradas em poucos produtos de grandes volumes exportados, como alumina calcinada, silício, hidróxido de alumínio e óxido de nióbio. Ainda assim, a maior parte da pauta exportadora, em número de produtos, permanece tarifada, desencadeando impactos relevantes sobre diversos segmentos da indústria química.

Com base nas operações comerciais realizadas em 2024, 2025 e no primeiro semestre de 2026, a Abiquim estima que, mantido o mesmo fluxo de exportações, a nova tarifa represente um custo adicional potencial de aproximadamente US$ 66 milhões até o final de 2026 – o equivalente a aproximadamente US$ 133 milhões em termos anualizados.