O pedido de recuperação extrajudicial anunciado por uma das maiores empresas químicas do País é, na avaliação da Abiquim, mais um sinal da necessidade de o Brasil tratar a competitividade do setor como uma agenda estratégica de Estado. A reestruturação financeira dessa indústria deve ser compreendida como um alerta para o ambiente de negócios da indústria de base brasileira. O episódio demonstra que, mesmo quando há capacidade produtiva, mercado e recuperação operacional, condições adversas de competitividade e financiamento podem comprometer a capacidade de investimento de empresas estratégicas.
O setor enfrenta um desequilíbrio estrutural que se traduz em números expressivos. O déficit comercial chegou a US$ 56,8 bilhões no último ano. Ao mesmo tempo, a indústria encerrou 2025 utilizando apenas 64% de sua capacidade instalada. No curto e médio prazo, possíveis impactos sobre a indústria petroquímica dependerão da evolução da reestruturação e da capacidade de preservação das operações e dos investimentos. Uma eventual redução da capacidade produtiva, postergação de projetos ou menor disponibilidade de insumos petroquímicos pode ampliar a dependência brasileira de importações, pressionar custos e afetar cadeias que vão de plásticos e embalagens a setores como construção, automotivo, agronegócio, saúde e bens de consumo. Por isso, a preservação da capacidade produtiva e dos investimentos da indústria química e petroquímica deve ser tratada como uma questão de interesse para toda a economia brasileira.
Para a Abiquim, o Brasil precisa transformar esse alerta em uma agenda concreta, garantindo energia e matérias-primas a preços competitivos, especialmente gás natural e insumos petroquímicos; consolidando um ambiente tributário que preserve a competitividade da produção nacional; fortalecendo a defesa comercial contra práticas desleais de comércio; acelerando investimentos em infraestrutura e logística; e criando condições para financiar a modernização e a expansão da capacidade brasileira.
O momento exige uma agenda de longo prazo, construída com diálogo. O desafio da indústria química brasileira não é a falta de capacidade de produção, mas a preservação dessa capacidade.
Fortalecer a indústria química de base é fortalecer a soberania produtiva do Brasil e garantir que o País continue capaz de abastecer suas cadeias industriais estratégicas, hoje e no futuro.

