Pesquisa mostra o impacto da elevação das tarifas impostas pelos EUA na indústria paulista

Uma pesquisa realizada pela Fiesp com 174 indústrias exportadoras revela que 69% dessas empresas registraram uma significativa redução no número de pedidos após a elevação das tarifas norte-americanas. A maior parte (42,9%) aponta uma queda superior a 25% no volume de pedidos. As novas taxas aplicadas pelo governo americano aos produtos brasileiros chegam a até 37,5%, somando a alíquota de 25% aplicada em 22 de julho e um adicional de 12,5% em vigor a partir de 24 de julho.

Os números da pesquisa apontam um cenário limitado de alternativas ao mercado norte-americano. Além dos EUA, os principais mercados atendidos são o Mercosul (66,7%), América Latina e Caribe (50%) e União Europeia (50%). Mas 45,2% das empresas que exportam aos EUA não cogitam buscar outros mercados para seus produtos. Entre as que cogitam, 57,1% não têm previsão de prazo para conseguir substituir totalmente o mercado norte-americano como destino. E praticamente três em cada dez empresas apontam os países do Mercosul como alternativa.

O movimento de redirecionar as vendas para o mercado interno também enfrenta limitações. Cerca de 40% das empresas já redirecionaram produtos para o mercado nacional, mas 36% informaram não ter compradores no País. Entre as que fizeram o movimento, o grau de absorção é variado: de um lado, 28% destinaram apenas até 5% do volume, de outro, 24% conseguiram absorção total.

A possibilidade de produzir no exterior também encontra obstáculos. Questionados sobre fabricar produtos em outros países para atender aos EUA, seis em cada dez indústrias indicaram não cogitar essa possibilidade, e 21,4% informaram já possuir planta em outros países capaz de fazer esse movimento.

Entre as medidas de apoio consideradas prioritárias pelas empresas, quase 70% defenderam a necessidade de diálogo e negociação entre Brasil e Estados Unidos. Além disso, 40,8% sugeriram a busca por novos acordos comerciais, e 38,2% citaram medidas de desoneração tributária e drawback.