O Brasil já tem uma bioeconomia que movimenta cerca de R$ 2,7 trilhões, o equivalente a 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB). Além disso, a chamada bioeconomia baseada no conhecimento, que transforma recursos biológicos em inovação, tecnologia e produtos de alto valor agregado, pode movimentar mais R$ 700 bilhões por ano até 2032. Os dados estão em estudo da CNI que analisa os 10 anos de vigência da Lei da Biodiversidade. O levantamento destaca que o Brasil tem condições para liderar áreas tecnológicas consideradas estratégicas para a economia do futuro, como biomanufatura, biomateriais, bioinsumos, proteínas alternativas e bioplásticos, além de segmentos já consolidados, como os setores farmacêutico e de cosméticos.
Apesar do cenário favorável, o estudo aponta que a instabilidade regulatória tem afastado pesquisadores, investidores e parcerias internacionais. Muitas empresas acabam desistindo de projetos, adiando investimentos ou enfrentando altos custos em função da complexidade das regras.
O levantamento indica que 82% das empresas consideram a insegurança jurídica o principal desafio para atuar no setor. A principal preocupação é a mudança frequente na interpretação das normas relacionadas ao acesso ao patrimônio genético brasileiro, como microrganismos, plantas e animais, e ao uso de conhecimentos tradicionais associados, como saberes de povos indígenas e comunidades tradicionais utilizados em pesquisas e no desenvolvimento de produtos. Na prática, isso cria dúvidas sobre o que pode ou não ser feito por empresas e instituições de pesquisa, o que aumenta o risco de punições.
Em outra pesquisa da CNI, mais de 80% dos executivos afirmaram defender o uso sustentável da biodiversidade como ativo estratégico para os negócios. Entre os entrevistados, 32% afirmam que a biodiversidade deve ser conservada com uso sustentável; 29% defendem sua integração aos negócios de forma sustentável; e 28% acreditam que o tema deve fazer parte das políticas de responsabilidade socioambiental das empresas. Apenas 5% defendem a preservação total, sem uso econômico dos recursos naturais. A diferença é significativa: enquanto preservar significa manter a natureza intocada, conservar envolve o uso racional e sustentável dos recursos naturais.

