Sinproquim participa do lançamento do projeto Ação Climática e de Biodiversidade por meio de Soluções de Economia Circular

Projeto CB-ACES, que será implementado no Brasil, no México e na África do Sul, é uma iniciativa de cooperação internacional liderada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), com financiamento da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) do Governo da Alemanha. O orçamento está estimado em 15 milhões de euros. No Brasil, a coordenação do projeto será compartilhada entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com o SENAI como principal parceiro de implementação.

O objetivo é desenvolver estruturas de políticas públicas integradas para a economia circular, facilitar o intercâmbio de conhecimento, estabelecer projetos-piloto com modelos de negócio sustentáveis e promover investimentos em economia circular. 

A assessora de Sustentabilidade do Sinproquim, Luciana Oriqui, participou do evento de lançamento realizado no escritório de São Paulo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) no dia 26 de fevereiro. Um dos pontos centrais destacados no evento é de que a economia circular não se resume à gestão de resíduos ou à reciclagem. Representantes da UNIDO, do governo alemão, do SENAI, do MMA e do MDIC destacaram que os maiores impactos ambientais globais estão associados à extração e ao processamento de recursos naturais, responsáveis por cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa e por praticamente toda a perda de biodiversidade associada às cadeias produtivas. A economia circular foi apresentada como uma estratégia estrutural, que atua a montante (upstream) — no design de produtos, na escolha de materiais e na retenção de valor econômico ao longo do ciclo produtivo — e não apenas na etapa final do descarte.

O projeto atuará em três níveis complementares:

  • Estratégico e regulatório, apoiando políticas públicas e marcos institucionais;
  • Capacitação e modelos de negócio, voltados à indústria e aos elos da cadeia produtiva;
  • Instrumentos financeiros, buscando viabilizar economicamente soluções circulares.

A fase atual é preparatória, dedicada ao mapeamento de políticas existentes, setores prioritários, lacunas regulatórias, barreiras tecnológicas, riscos sociais e necessidades de financiamento.

As discussões em grupos de trabalho trouxeram um diagnóstico técnico e realista do cenário brasileiro, reconhecendo avanços importantes, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os instrumentos de logística reversa e limitações relevantes.

Foi recorrente a avaliação de que o Brasil ainda possui um arcabouço regulatório fortemente concentrado no downstream, com pouca atenção a temas como reparabilidade, extensão da vida útil, reúso, servitização e inovação em modelos de negócio. Também foram apontadas:

  • Falta de convergência entre políticas de clima, resíduos e substâncias químicas;
  • Insegurança jurídica para práticas circulares inovadoras;
  • Escassez de dados confiáveis, interoperabilidade e rastreabilidade;
  • Dificuldades de acesso a financiamento, especialmente para pequenas e médias empresas;
  • Risco de sobrecarga regulatória concentrada na indústria formal.

Esses pontos foram destacados não como críticas isoladas, mas como desafios estruturais que o projeto CB‑ACES pretende ajudar a resolver, por meio de articulação institucional e aprendizado prático.

Competitividade, inclusão e indústria química

Um aspecto reiterado por diferentes participantes foi de que a economia circular deve ser tratada como agenda econômica, e não apenas ambiental. A circularidade foi associada diretamente à produtividade, eficiência no uso de recursos, redução de custos, inovação e inserção competitiva do Brasil em cadeias globais.

Ao mesmo tempo, foi destacado que a transição precisa ser socialmente justa, reconhecendo o papel dos catadores de materiais recicláveis e evitando que ganhos econômicos ocorram à custa de precarização.

Para a indústria química, esses debates são particularmente relevantes. A circularidade depende de qualidade de materiais, segurança química, rastreabilidade, conformidade regulatória e governança, temas nos quais o setor tem papel central, tanto como viabilizador de soluções quanto como parte impactada por políticas públicas mal calibradas.

A participação do Sinproquim no evento reforça o compromisso da entidade em acompanhar de forma técnica, crítica e propositiva as iniciativas que moldam o futuro da economia circular no País. O projeto CB‑ACES abre uma janela importante para que a indústria contribua desde a fase preparatória, ajudando a construir soluções viáveis do ponto de vista técnico, regulatório e econômico, evitando abordagens simplificadas ou excessivamente normativas.

Economia Circular como vetor de competitividade industrial: Sinproquim acompanha lançamento do Projeto CB‑ACES na CNI

No dia 26 de fevereiro, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) sediou, em São Paulo, o evento de lançamento do projeto CB‑ACES – Ação Climática e de Biodiversidade por meio de Soluções de Economia Circular, iniciativa de cooperação internacional liderada pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido), com financiamento da Iniciativa Internacional para o Clima (IKI) do Governo da Alemanha.

O Sinproquim esteve presente, representado por Luciana Oriqui, assessora de Sustentabilidade da entidade, acompanhando as discussões técnicas e estratégicas que marcaram o início da fase preparatória do projeto no Brasil.

O projeto de cooperação internacional Ação climática e de biodiversidade por meio de soluções de economia circular (CB-ACES) foi lançado no Brasil, na quinta-feira (26), no escritório da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em São Paulo. 

Financiado pela Iniciativa Internacional para o Clima (IKI), do Ministério do Meio Ambiente da Alemanha (BMUKN), o CB-ACES será implementado no Brasil, no México e na África do Sul. O objetivo é desenvolver estruturas de políticas públicas integradas para a economia circular, facilitar o intercâmbio de conhecimento, estabelecer projetos-piloto com modelos de negócio sustentáveis e promover investimentos em economia circular.  

Para isso, o projeto vai tratar de temas transversais como mitigação da mudança climática, conservação da biodiversidade, igualdade de gênero, inclusão social, transformação digital e cadeias globais de suprimentos em conformidade com normas ambientais. 

Economia circular além da reciclagem

Um dos pontos centrais reforçados ao longo do evento foi que economia circular não se resume à gestão de resíduos ou à reciclagem. Representantes da UNIDO, do governo alemão, do SENAI, do MMA e do MDIC destacaram que os maiores impactos ambientais globais estão associados à extração e ao processamento de recursos naturais, responsáveis por cerca de 60% das emissões de gases de efeito estufa e por praticamente toda a perda de biodiversidade associada às cadeias produtivas.

Nesse contexto, a economia circular foi apresentada como uma estratégia estrutural, que atua a montante (upstream) — no design de produtos, na escolha de materiais e na retenção de valor econômico ao longo do ciclo produtivo — e não apenas na etapa final do descarte.

Projeto CB‑ACES: cooperação internacional com foco industrial

O projeto CB‑ACES é uma iniciativa multinacional, envolvendo Brasil, México e África do Sul, com orçamento global estimado em 15 milhões de euros. No Brasil, a coordenação é compartilhada entre o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), tendo o SENAI como principal parceiro de implementação.

Durante o evento, foi enfatizado que o projeto atuará em três níveis complementares:

  • Estratégico e regulatório, apoiando políticas públicas e marcos institucionais;
  • Capacitação e modelos de negócio, voltados à indústria e aos elos da cadeia produtiva;
  • Instrumentos financeiros, buscando viabilizar economicamente soluções circulares.

A fase atual é preparatória, dedicada ao mapeamento de políticas existentes, setores prioritários, lacunas regulatórias, barreiras tecnológicas, riscos sociais e necessidades de financiamento.

Diagnóstico realista do cenário brasileiro

As discussões em grupos de trabalho trouxeram um diagnóstico técnico e realista do cenário brasileiro, reconhecendo avanços importantes, como a Política Nacional de Resíduos Sólidos, os instrumentos de logística reversa e limitações relevantes.

Foi recorrente a avaliação de que o Brasil ainda possui um arcabouço regulatório fortemente concentrado no downstream, com pouca atenção a temas como reparabilidade, extensão da vida útil, reúso, servitização e inovação em modelos de negócio. Também foram apontadas:

  • Falta de convergência entre políticas de clima, resíduos e substâncias químicas;
  • Insegurança jurídica para práticas circulares inovadoras;
  • Escassez de dados confiáveis, interoperabilidade e rastreabilidade;
  • Dificuldades de acesso a financiamento, especialmente para pequenas e médias empresas;
  • Risco de sobrecarga regulatória concentrada na indústria formal.

Esses pontos foram destacados não como críticas isoladas, mas como desafios estruturais que o projeto CB‑ACES pretende ajudar a endereçar, por meio de articulação institucional e aprendizado prático.

Competitividade, inclusão e indústria química

Um aspecto reiterado por diferentes participantes foi que a economia circular deve ser tratada como agenda econômica, e não apenas ambiental. A circularidade foi associada diretamente à produtividade, eficiência no uso de recursos, redução de custos, inovação e inserção competitiva do Brasil em cadeias globais.

Ao mesmo tempo, destacou‑se que a transição precisa ser socialmente justa, reconhecendo o papel dos catadores de materiais recicláveis e evitando que ganhos econômicos ocorram à custa de precarização.

Para a indústria química, esses debates são particularmente relevantes. A circularidade depende de qualidade de materiais, segurança química, rastreabilidade, conformidade regulatória e governança, temas nos quais o setor tem papel central, tanto como viabilizador de soluções quanto como parte impactada por políticas públicas mal calibradas.

Acompanhamento estratégico pelo Sinproquim

A participação do Sinproquim no evento reforça o compromisso da entidade em acompanhar de forma técnica, crítica e propositiva as iniciativas que moldam o futuro da economia circular no País.

O projeto CB‑ACES abre uma janela importante para que a indústria contribua desde a fase preparatória, ajudando a construir soluções viáveis do ponto de vista técnico, regulatório e econômico, evitando abordagens simplificadas ou excessivamente normativas.

O Sinproquim seguirá acompanhando os desdobramentos do projeto, com atenção especial aos impactos para a indústria química e petroquímica, e manterá seus associados informados sobre oportunidades de engajamento e diálogo institucional.