Pesquisa da CNI com 1.398 empresas de pequeno, médio e grande porte de 32 setores industriais mostra que 32% das empresas ouvidas relataram terem sido afetadas diretamente pelo roubo de cargas. Apenas no Rio de Janeiro, em 2025, a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) estimou um prejuízo de R$ 314 milhões, com média de oito caminhões atacados por dia.
Cerca de 31% das empresas reportam ter tido suas atividades prejudicadas. Esse número é mais frequente entre médias e grandes empresas (32% e 33%), quando comparado às pequenas (25%).
O segundo tipo de ilícito mais citado pelas empresas afetadas pelo mercado ilegal foi a “Não conformidade de produtos com regulamentações técnicas”, com 29%. A não conformidade está relacionada à comercialização de produtos que não atendem às normas técnicas, regulatórias ou de segurança exigidas por lei, incluindo ausência de certificações obrigatórias, rotulagem inadequada ou descumprimento de padrões de qualidade.
A prevenção contra os ilícitos custa mais que o crime. O levantamento mostra que os gastos da indústria com segurança, como patrimonial e cibernética, por exemplo, equivalem a 1,1% da receita líquida, o que totaliza um impacto de R$ 68,5 bilhões, valor superior às perdas diretas causadas pelos ilícitos, que chega a R$ 39,1 bilhões.
O aumento da fiscalização e controle são apontados por 77% das empresas como as principais medidas para combater os efeitos das ilegalidades. Investir em ações de inteligência pode ser eficaz para 46%, enquanto 36% apostam no endurecimento da legislação.
Para 41% das empresas, os órgãos de segurança pública dos estados, como as polícias Civil e Militar, são os que mais necessitam de fortalecimento, pois o crime atua muito em mercados locais físicos e vias de transporte. A Polícia Federal (38%) e a Receita Federal (36%) são as próximas na lista de prioridades para fortalecer o enfrentamento de esquemas estruturados e defesa de portos, aeroportos e fronteiras.
